segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Novas Fronteiras - Para além das praças.


Não sei se é uma regra, mas quando comecei a treinar Parkour foi muito difícil a aceitação da população. Muitos dos xingamentos e proibições da utilização de alguns espaços vinham em função do medo do desconhecido por essa nova apropriação dos espaços urbanos. Hoje, com muito mais facilidade, é possível conversar sobre esse assunto por causa da quantidade de veículos de comunicação que divulgam a atividade e também por causa dos eventos de Parkour que acontecem por todo mundo e colocam praticantes mais em contato uns com os outros.

Lembro que romper com o paradigma de treinar na frente de uma agência bancária, por exemplo, era muito difícil. Sempre os seguranças do banco falavam algo do tipo: "Isso que vocês fazem aí compromete nossa atenção na segurança do banco." E por aí vai... Casas abandonadas vinham sempre seguidas de abordagens policiais na procura por drogas e que acabavam por achar apenas moleques saltando.

Por fim, as praças se tornaram nosso maior ponto de encontro e de treino. Nelas fizemos treinos físicos, conversamos sobre a atividade, marcamos encontros estaduais e é até comum que cada estado tenha uma preferida.

O que me pego pensando ultimamente é que talvez, só talvez, tenhamos deixado o Parkour ficar preso nessas praças. Assim como as linhas do campo de futebol delimitam até onde o jogo pode ir e assim como eles possuem tempo definido e roupas adequadas para participar do esporte. Quando delimitamos o local do treino, parece que o percurso torna-se, definitivamente, do ponto A ao ponto B. Somente isso. Dentro apenas desse espaço e onde o “jogo” começa com data e hora marcada.

Questionei sobre isso ao observar o treino de alguns amigos e perceber que eles partilham desse ideal de não deixar o Parkour preso as praças (ou ao pico). A perspectiva que imagino de um Parkour livre é também de um Parkour para além do pensamento reducionista de mera atividade física. Distante de um Parkour limitado que impede a continuidade de um "flow" nas possibilidades cotidianas da vida do praticante.

Tenho dois amigos que já cortaram o cordão umbilical com as praças e hoje colocam a prova todo o fortalecimento que adquiriram com os treinos, em situações onde muitas vezes não se pode testar ou verificar as chances de algo dar certo ou não. Dessa forma também se quebram as linhas que delimitam o espaço do tracer e que faz com que ele passe a enxergar todo o espaço a sua volta e não somente o meio urbano. Espaço esse, que talvez por descuido dos próprios praticantes, se tornaram mais restritos.

Esse desligamento com o conforto das praças (ou do pico) proporciona para eles experiências novas a todo o momento e uma oportunidade de aprendizado e re-aprendizado em tempo real.

Outros amigos, não fisicamente da mesma maneira (mas psiquicamente) vêem deixando as praças e transcendendo a palavra Parkour para um percurso constante de melhora pessoal em seu dia a dia. Quando eu vejo postagens como a do Duddu sobre "Treino Não Convencional - Lavar Pratos"  isso põe em xeque que não existe hora ou lugar para se praticar a eficiência e o aperfeiçoamento; que a busca pelo "ser forte, para ser útil" não se atribui a uma atividade ou a uma situação específica e sim a um sistema de aprendizado sem fronteiras e que não delimita espaço até onde o seu treino pode ir.

Esse tipo de superação exige dos tracers (e de qualquer pessoa interessada em elevar sua vivência aqui na terra) que aprendam a se posicionar em um patamar de auto-gestão e proatividade; onde o parkour/percurso começa no dia em que você descobre a prática e termina no dia da sua morte. Até porque “ser forte para ser útil” apenas por algumas horas do dia, teria o mesmo efeito que determinar até que ponto você é um tracer.

O Parkour desde a sua criação quebra com a barreira de delimitações de espaços: seja ele físico ou psíquico. Cabe ao praticante o permanente questionamento sobre o que ele esta fazendo: uma autocrítica perene para que as convenções sociais não se fixem novamente em um espaço específico para nós.



Bons Treinos!!

Agradeço em especial aos amigos Duddu, Bruno Melo, Zico, JC, Tal e Edi, que me inspiraram  escrever esse texto. foda-se todos!

  
         

              

   

sábado, 13 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pensar o todo, não pela metade.




O que vou escrever aqui, talvez, para alguns, não vai fazer sentido relacionar os problemas que ocorrem no parkour, com um sistema politico. Mas vou tentar apresentar algumas alterações que ocorrem com um esporte depois da intervenção do capitalismo, que transforma qualquer coisa em mercadoria, a concepção de problema é para os que querem manter o esporte livre de competições e livre das quatro paredes de uma academia.

Desde seu começo, o parkour, assim como outras praticas esportivas, sofre interferência do capitalismo, que transforma qualquer coisa em mercadoria, descaracterizando alguns valores do esporte. É histórica essa intervenção mercadológica do capitalismo. Atividades como o Kung Fu, Capoeira e Surf se alteraram e continuam se alterando através do tempo. 

No Surf, por exemplo, no começo, era comum que os próprios praticantes fabricassem suas pranchas por acreditar que se transmitiam energias positivas para ela, para quando se fosse praticar o esporte pudessem liberar as energias negativas. Acreditavam que o ato de surfar era um culto ao espírito do mar. Há surfistas que preservam esses valores, mas, empresas já tomaram a função da fabricação das pranchas e dai já rouba uma experiência única e própria da atividade. Onde se tinha uma troca de energia com o mar, hoje é a disputa entre o melhor desempenho dos competidores. Colocando o mar como segundo plano. Tornando-se apenas, o suporte para competir e não mais um elo com a natureza. 

Com o parkour acontece o seguinte, uma pratica que se inicia nas ruas, sem a necessidade de qualquer equipamento, sendo assim não é necessário nenhuma relação de consumo. Seu único equipamento é seu próprio corpo, a pratica exige a conservação do mesmo e uma nova compreensão sobre o espaço que cerca o praticante. Dessa nova percepção é que vai surgir outra possibilidade de interagir com o meio. Ele tem como competidor, seus medos, que vai ser o termômetro para manter o tracer focado na vontade de sempre se fortalecer, tanto corpo quanto a mente. Hoje em dia a funcionalidade dos movimentos perdeu lugar para o impressionismo, que garante sua escada para fama no mundo do “parkour show”.

A construção de praças especifica ou academias favorecem o praticante para um maior desenvolvimento da pratica, no sentido físico da coisa, mas como fica a sua percepção, com relação aos espaços “não próprios”? Sei o quanto o parkour é libertador, mas o quanto ele vai libertar entre quatro paredes? São alguns dos questionamentos que eu acho bastante necessário já que é histórica a nossa maneira mecanicista de pensar o mundo. Mecanizar o parkour é construir tracers em serie, de movimentos idênticos e pensamentos estáticos.  

Existem varias formas de enxergar o mundo, mas, há uma que predomina ate hoje.  O pensamento cartesiano de René Descartes, que consiste basicamente, em dividir um problema complexo, em problemas menores. Essa forma de pensamento é sem duvida, a maior influencia na nossa forma de pensar as coisas. Então, se engana quem pensa que o problema do parkour vai ser solucionado dentro do capitalismo. É preciso observar toda a conjuntura do problema e perceber que é de extrema importância a luta por um parkour sem competições, mas ela, por si só, não vai alterar o rumo dos interesses do capital.

Então queria dizer que é muito importante saber interpretar a dimensão dos problemas, assim como é feito durante seu percurso num treino de parkour. Enxergar as dificuldades e possibilidades é fundamental para um tracer.

Bons treinos pra todos!!

domingo, 18 de novembro de 2012

Um Chamado à Luta (Tradução do Texto do Blane por Duddu)


Um Chamado à Luta (A Call To Arms)
Por Chris "Blane" Rowat
Tradução: Duddu



Desde quando uma travessia de 30 metros com uma criança pendurada em suas costas tornou-se menos importante do que um salto de 18 pés entre dois pontos e com uma aterrissagem grotesca? Estou pouco me lixando para suas passadas gigantes e barulhentas, pois há gente por aí com 43 anos, o dobro da sua idade, duas vezes mais forte e que cai de 2 metros e não faz o menor barulho.

As coisas que deveriam importar para o Parkour, não mais importam - e as coisas que hoje são largamente consideradas como impressionantes não são mais quando você as analisa com calma. Nossos valores estão sendo corrompidos.
Algumas vezes, tento olhar para o Parkour de forma neutra, como se eu nunca tivesse ouvido falar sobre ele antes.

O que eu acharia dele se eu tivesse ainda 17 anos e o descobrisse agora, ao final de 2012? Imagino que acharia bem legal e que provavelmente iria mergulhar nesse mundo também. Só que, diferente do que eu vi nove anos atrás, ele não iria me impressionar tanto como fez.

Se você terminar de ler esse artigo e se convencer a respeito dos valores que eu acredito dentro do Parkour, então você irá também se convencer de que se eu não me esforçar para espalhá-los eles irão desaparecer.
Os novos iniciantes irão somente enxergá-lo como uma atividade de pular de locais altos e não como uma prática extremamente versátil e acessível para qualquer um com o desejo de encarar desafios, conhecer e melhorar a si mesmo.

O que eu vi no Parkour em 2003, aos 17:
Uma elite de poucos com qualidade de movimentação e atenção aos detalhes em cada movimento que fazia e que esse nível era somente alcançado através de milhares de horas de deliberada prática e treinamento.
O espírito de um guerreiro insaciável com seu treinamento e com garra para encarar qualquer desafio, seja ele físico, técnico ou mental.
Uma comunidade em crescimento, positivista e inspirada por todos aqueles que vieram antes dela.
Um sistema de treinamento e uma comunidade que dava valor a todos os aspectos do Parkour de forma igualitária, e uma consciência coletiva interessada em um Parkour que durasse a vida inteira e não somente alguns meses.

O que eu vejo em 2012, aos 26:
Um crescimento em massa do número de praticantes ao redor do mundo.
Big jumps.
Péssimas aterrissagens.
Competições.
Uma preciosa minoria tentando se manter de pé sobre os velhos valores e duvidando de suas razões em fazer isso…
...e ultimamente, uma mudança do que é creditado como sendo Parkour.

E é justamente com essa pouca minoria que luta e sobre essa mudança de valores que eu me preocupo.
Eu sou responsável por deixar essa mudança acontecer sem encará-la, tanto quanto é responsável todos aqueles da “minha geração”. Nós todos ficamos de lado, deixamos o Parkour evoluir, ser modificado e se alastrar pela Internet sem que disséssemos: “Espere um minuto, isso é bom... mas e todas aquelas outras partes do Parkour por qual eu me apaixonei? Onde estão?”

Eu tento sempre ensinar meus alunos com esses valores em mente e eu sei que um bocado de homens e mulheres também fazem o mesmo por aí. Mas acontece que não é suficiente mantermos esses valores que nos cuidamos com tanto carinho presentes somente em nossas aulas em algumas cidades ao redor do mundo. Temos que mostrar isso em larga escala se quisermos mantê-los vivos. E mais importante do que isso, precisamos nos preocupar em deixar nossos testemunhos para que eles possam ser encontrados por todos aqueles que vierem a se interessar pelo Parkour em busca de algo mais do que big jumps.
Nos últimos anos que se passaram, ao invés de nos mantermos firmes e acreditar nos ensinamentos que passamos a admirar quando conhecemos o Parkour, dia a dia, vídeo a vídeo, nosso sistema de valores foi corrompido. Mesmo aqueles poucos que ainda hoje acreditam que Parkour é para todos, pode sentir que está regredindo, que não é tão bom quanto o cara novo, porque ele consegue fazer um salto que você não acha que consegue, ou talvez você nem tenha vontade de fazer.

Mas se você se lembrar dos valores que te trouxe a prática, então você não irá se importar em saltar tão longe quanto o “cara novo”. Lembra do que uma vez você aprendeu? O que é um salto, grande ou pequeno, sem uma boa aterrissagem? Quando foi que melhorar suas subidas de muro, suas flexões, seus agachamentos, seu quadrupedal ou então aumentar o seu recorde de ficar pendurado (se cair você morre!) se tornou menos prazeroso do que aumentar a distância de seus saltos?

Eu já vi em alguns treinos em grupo as pessoas fazerem piada com o cara que estava lá atrás se fudendo com um colete de peso e tentando fazer suas barras ficarem mais fortes. Quando foi que o que estava sendo executado por ele tornou-se uma parte inferior do Parkour?
Os desafios físicos não são algo novo no mundo do Parkour. Ao menos desde que ele existe, os desafios físicos são parte inerente a ele. Na verdade, como alguns de vocês irão se lembrar, muito antes dos saltos chamarem a atenção, os desafios físicos ERAM o Parkour.

Hoje não são mais. Os desafios físicos (e até mesmo, o treino físico) são atualmente espécie em extinção.


A ênfase mudou com o passar dos últimos anos e o Parkour não é mais o terreno perfeito para se testar do que a pessoa é feita fisicamente, tecnicamente, mentalmente... e emocionalmente.

Não é mais um desafio de saber se você é capaz de correr de uma cidade pra outra e se aventurar a retornar antes do pôr-do-sol. Não é mais um desafio para saber se você consegue empurrar um carro velho numa ladeira com os amigos que você riu e chorou durante o dia. E não é mais sobre conseguir entender o valor de se saltar para uma árvore molhada em caso de um dia você tiver que resgatar um desses amigos que ficou preso nela.

Agora é amplamente visto como um palco para talentos, uma oportunidade para as pessoas mostrarem ao mundo como eles conseguem saltar mais distante do que os outros. Ou então como eles estão dispostos a viajar metade do mundo para fazer o mesmo salto que viu outro cara realizar num vídeo do ano passado. Só que agora ele chega lá e faz de side-flip.

Eu vejo competições onde o “Melhor Atleta de Parkour” e os “Campeões Mundiais” gastam 37 segundos de corrida tentando fazer qualquer coisa mais impressionante do que o cara que se apresentou antes dele. Isso tudo antes do tempo acabar ou dele ficar sem fôlego. 37 segundos de uma perfomance medíocre? Eu tenho treinado com homens e mulheres que poderiam durar 37 minutos naquela mesma intensidade.

Quem deixou essa babaquice ganhar espaço sem resistência? Quando foi que isso se tornou o foco? Quando foi que fazer um salto mais longe que alguém se tornou algum valor para o Parkour? Quando foi que visitar um pico pra repetir os mesmos movimentos que alguém já fez se tornou a meta? Eu detesto admitir, mas fomos nós que deixamos essa merda crescer. Permitimos isso quando passamos a duvidar de nós mesmos e passamos a cogitar a possibilidade de um big jump ter alguma importância.

Aqui esta o vídeo de Jesse Owens saltando 26 pés (algo próximo a 8 metros) em 1936, Berlin, Alemanha.

 

Esse é um salto enorme mesmo para os padrões e a metodologia avançada de treino que temos hoje em dia. E esse salto não é só distante, mas muito, mas muito mais distante do que qualquer salto já realizado por qualquer praticante de Parkour entre dois pontos. Então porque a comunidade do Parkour (e, de fato, o mundo) fica impressionada quando alguém pula 18 pés entre dois muros e desmorona como se ali tivesse alguma caixa de areia como a de Jesse no vídeo? É porque eles são “corajosos” o suficiente de fazer isso em uma fenda? Em muitos casos o medo de cair só é derrotado pelo pensamento em ficar imortalizado no Youtube diante de milhares de pessoas vestidas em seus pijamas. É isso que você entende por “coragem”? Se for, então, por favor, feche essa página agora porque não há nada aqui pra você.

Mas se tem uma razão pessoal e válida para fazer um salto que carrega um risco para provar algo a si mesmo e então ultrapassar sua própria compreensão e responder as suas dúvidas; agir quando tudo dentro de você quer sair dali e ir para casa com intenção de provar SOMENTE algo a si mesmo; então isso é que é coragem e determinação. E esses são alguns dos valores que verdadeiramente foram construídos no Parkour. Os mesmos valores que a cada dia desaparecem diante de seus olhos. Ficar eufórico e se esforçar o máximo que puder para provar seu valor diante de alguém que esta do outro lado da internet, ou porque seu amigo já fez aquilo uma vez, somente revela imprudência e alguém com vida curta dentro do Parkour.

Eu gostaria de acreditar que a maioria das pessoas que estão lendo esse texto irão concordar que Parkour deixa de ser Parkour sem algum desses valores. Valores como coragem, decisão, fortalecimento, força, disciplina, dedicação e longevidade. Valores como humildade e altruísmo. Integridade.

Existem diversas maneiras que podemos ajudar a mudar positivamente o futuro de nossa prática e o melhor ponto de partida, e o jeito mais fácil, é não permitir que esses valores sejam perdidos.

Podemos inspirar a próxima geração de praticantes e permitir que eles compreendam que Parkour é muito mais do que realizar saltos impressionantes apenas fazendo com que nossas opiniões não adormeçam.
Comente nos vídeos, faça upload do seu próprio, escreva artigos, ensine, converse, viaje e treine da maneira que você acredita que o Parkour deveria ser treinado. Deixe as pessoas verem esse lado aonde quer que você vá. Represente e seja.

Esses valores não precisam ser manifestados como os desafios que mencionei anteriormente, mas ultimamente a única maneira que podemos significativamente crescer é encarar e se adaptar para superar essas adversidades. Isso pode ser feito da mesma forma que você encara um salto, quando ele te amedronta porque você crê que vale a pena enfrentar o seu medo e testar sua habilidade.


Pode ser de forma técnica. Ou talvez seja repetindo uma precisão correndo para um corrimão fino e tentando aterrissar perfeitamente 3 vezes consecutivas. 10 vezes em seguida. 50.

Ou talvez seja um desafio físico afinal. Você pode simplesmente escolher um dos seus exercícios favoritos e fazer um teste pra saber até quando você agüenta refazê-lo. Testar quantas repetições você consegue executar em dez minutos ou quanto de peso você consegue erguer depois de 6 meses de treinamento dedicado.


Na verdade, não importa qual será o desafio. O que importa é que você se desafie com freqüência a fim de realmente se conhecer e saber do que você é feito. Esse confronto e disposição para encarar obstáculos é o coração da fera que o Parkour é, e que infelizmente, a cada ano que passa ele bate cada vez mais devagar. Mas é essa exposição regular a desafios, tal quais esses que montamos, que irá disseminar esses valores nas pessoas.
O que as pessoas parecem não perceber é que um garoto de 19 anos que consegue saltar 18 pés, depois de um ano de treinamento, muito provavelmente não estará mais aqui nos próximos.

Poucas pessoas permanecem mais do alguns poucos anos nesse jogo, seja por conta de um machucado, perda de interesse ou qualquer outro dos incontáveis motivos. Então, ainda que o que ele faça seja impressionante, sim... o que você está treinando para fazer, 'ser e durar', pelos próximos 10, 20 anos... e mais, ainda forte, progredindo, treinando e se divertindo com o Parkour... Isso é muito mais impressionante para mim. Estes são os valores e os objetivos que me impressionaram e que existem naquela pequena elite que mencionei anteriormente. Estas são as coisas que eu não verei perdidas nos anos que estão por vir.

Não peça desculpas a respeito dos valores que você acredita e, mais importante ainda, não permita que o Parkour os perca se você acredita neles! Parkour vai se desenvolver e se tornar o que ele tiver que se tornar diante dos olhos de todos, mas se mantenha firme no que você considera importante porque você não está sozinho!
Não o deixe morrer ou então a próxima geração poderá jamais ver ou experimentar o que você viu e fez quando você descobriu o Parkour. Deixe o desafio e a longevidade moldar seu treinamento, seu objetivo e suas motivações. Estabeleça seus próprios desafios, mesmo se alguns deles parecerem impossíveis, pois mesmo neles você aprenderá um bocado. Lembre-se que o desafio não é um desafio se você não sabe como realizá-lo. Pegue um envelope, faça um convite à dúvida e a sua descrença e transforme esses velhos inimigos em seus aliados. Encare hábitos que parecem ser insuperáveis, freqüentemente, e então você crescerá como pessoa.
Se você quiser repetir aquele pequeno salto, aquele com um ângulo complicado, para uma parede coberta de limo. Se você pretende treiná-lo até chegar o dia em que você poderá realizá-lo com os olhos fechados... então meu caro amigo, você não está sozinho! Eu quero repetir esse salto com você! Mas vamos fazer 50. Só pra ter certeza. E um a mais por aqueles que não podem se juntar a nós. Isso fará a nós dois um bem maior do que aquele salto por cima do telhado carregando uma câmera.

Nós somos uma minoria agora, mas juntos nós somos ainda uma influência sobre aqueles que dizem que praticam Parkour. Ainda podemos fazer nossa mensagem ser ouvida por todos aqueles que conhecerão o Parkour agora, e nos próximos anos.

Este é um chamado à luta para aqueles que ainda se consideram a vanguarda do Parkour. A hora é agora. Faça a diferença mostrando, compartilhando e sendo todos os outros lados do Parkour que conhecemos e amamos. Os lados que muitos de nós estamos vendo ser esquecidos enquanto a nossa prática cresce.


Blane

domingo, 21 de agosto de 2011

Red Bull e Red Globo




Foi exibida na manhã deste domingo 21/08/11 uma reportagem no programa Esporte Espetacular gravada em um evento da Redbull intitulado Arte do Movimento. Houve descumprimento de acordos por parte da Red Bull para com a Associação Brasileira de Parkour. Foi pedido, antes de tudo, que eles não divulgassem que o evento seria um campeonato (competição) de Parkour. Mas eles não cumpriram com o que foi prometido. O que acabou tirando os Praticantes de Parkour do sério!

Por este motivo, eu, Priscilla Magalhães, estou escrevendo este texto com objetivo de tentar esclarecer que o que foi passado durante o Programa Esporte Espetacular, e o evento da Red Bull, é apenas o que eles querem que seja entendido pelos espectadores, fazer com que a prática tenha uma imagem de "esporte radical", o que é mais interessante de se ver, mais fácil de ser vendido e o que faz os negócios deles "bombarem". O que a Red Bull e a Rede Globo fizeram, foi um desrespeito, a partir do momento que eles não procuraram saber ou não divulgaram da maneira correta.

Na filosofia do Parkour não há competições e ele não é um ”esporte radical” no qual você busca somente "curtir a adrenalina". Há quem goste e faça isso, mas a essência do Parkour não é essa. O Parkour é coisa séria. Existem Associações e Grupos organizados que antes de tudo, procuram defender a origem da prática, que vai totalmente de encontro às competições. Então, antes de aceitar o que a mídia fala por aí, pesquise um pouco mais, procure saber a verdadeira História. Não só com o Parkour, mas com as notícias em geral !

Segue o link da reportagem:

http://globoesporte.globo.com/videos/esporte-espetacular/v/torneio-internacional-de-le-parkour-reune-representantes-do-mundo-todo/1604452/

domingo, 14 de agosto de 2011

Parkour Livre de Competições.

O grupo Ibyanga apóia esta idéia:

"A Associação Brasileira de Parkour, enquanto entidade, gostaria de tornar público que os valores defendidos em seu estatuto não associam competições ao Parkour e nem apóiam tais iniciativas. O compromisso da ABPK continua sendo apenas com a disseminação saudável da atividade e desenvolvimento de projetos que promovam a construção de uma imagem sólida para o Parkour como atividade benéfica perante a sociedade.

A diretoria."


Fonte: Associação Brasileira de Parkour

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mim Corre


A muito tempo eu sempre fiquei com uma pulga atraz da orelha pra saber como os meninos corriam por muito mais tempo que eu.
e eles sempre me falavam sobre o controle da respiração. O Poeta é um dos que me falou do metodo dele de respiração, enquanto corre.
Inspira e expira pelo maior periodo que consegue aguentar, apartir dai, muda para uma expiração pela boca, deixando ainda a inspiração pelo nariz, e nas últimas ele
me falou que esgota tudo respirando apenas pela boca.
As dicas desse ilustre estudante de educação fisica foram postas em pratica, porém, eu não soube aplicar. Treinando com a galera do grupo eu não consegui encontrar minha
maneira de desenvolver minha respiração. Mas em uma corrida pela manhã com uma amiga que queria iniciar um processo
de treinamento pra si, eu, tentando lhe explicar sobre essa aplicação da respiração, consegui desenvolver a minha, verbalizar o que me explicavam foi um ponto chave.
Quer queira ou não, apreendemos com todos ao nosso redor, e o ato de explicar o que era aquele exercicio de respiração, me organizou mentalmente das informações que me passaram.

"e a cada dia, queira ou não, aprendo uma lição." Kamau
Bons treinos !!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Associação Ibyanga Apresnta: Adriano Diamarante (Pop)



Então, esse vídeo é o começo de uma serie, tentando mostrar um pouco sobre o que o ibyanga pensa. Depois de um bom tempo observando a forma que muitos observam o parkour, dentro do próprio grupo, percebemos que era importante mostrar o quanto é, no mínimo, interessante a compreensão de cada um de nós sobre o parkour. Acredito também que deve haver pelo mundo a fora; grupos que não transformaram o parkour numa religião, e deixam seus praticantes pensar por si, e num tem coisa mais legal, do que, ver nego convivendo com as diferenças.

Tá ai algumas idéias da minha mutação diária, através das palavras, essas que dão significado e forma. O que eu mais queria mostrar com o vídeo é que a influência de fora é muito importante, mas que só você é que sabe seus limites e conheci a si, e seu meio urbano, social e cultural. Quando falo Parkour, vêm na minha mente, saltos, muros etc. Mas quando digo percurso, eu vejo mais do que a possibilidade do esporte, mais que, obstáculos concretos.

"Eu acredito que não existem heróis.
A gente pode ter pessoas realmente espetaculares, por exemplo, figuras espiritualizadas, religiosas, que são grandes modelos para a humanidade, mas na verdade, todo mundo é igual.
Eu não acredito que eu tenha uma verdade a mais. E principalmente a juventude.
Se a juventude cair nesse erro de acreditar que sim, elas inevitavelmente vão acabar descobrindo que o ídolo delas tem pés de barro."
-Renato Russo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Amiguense



É, fazia um certo tempo que vínhamos sentindo falta disto, incertezas quanto o dia a hora e quem iria para o encontro são práxis do modo de organização ibyanga. Talvez esse clima de praia e falta de gerenciamento do nosso Estado influencie o nosso comportamento ou talvez não. Talvez seja maluquice de nossas “brilhantes’’ cabeças mesmo ou a nossa capacidade de fazer com que os organizadores percam seus cabelos: "Olhe, vou logo falando, se não me confirmarem quem vem até amanhã e que horas chegam, se preparem pra ficar sem almoço e sem alojamento. Porque a chave e a compra das quentinhas está na minha mão e eu preciso confirmar horários e valores. ¬¬" (Duddu).

Porque agimos assim!? Quem pexte sabe?! Não há certezas apenas suposições. No entanto a satisfação de brigamos no carro (só no carro?!) pela existência ou não de deus, pela rua que deveríamos pegar ou deixamos de pegar, pela musica de abertura do cavaleiro dos zodíacos da época da manchete ou por quaisquer outros motivos banais são inexplicáveis. Os encontros de Parkour geralmente são marcados para nós assim e não poderia ser diferente com o Amiguense. Cada encontro tem-se uma historia um aprendizado o seu momento, mas, o Amiguense tem uma peculiaridade. O fato de ser criado para e entre amigos é que faz toda a diferença. Encontrá-los é sempre algo gratificante e renovador. Perceber a evolução particular de cada um é o que nos dar um motivo a mais de continuarmos juntos, mesmo estando separados pelas fronteiras. Sem contar que sempre há a possibilidade de conhecer novas pessoas e fazer novos amigos. É verdade que nem sempre todos podem comparecer devidos aos mais variados motivos: dinheiro, estudo, família... Mas isso não nos entristece, pois o encontro não dar espaços para isso, as pessoas que estão participando dele preenche esse vazio de alguma forma. Entretanto, sabemos que a presença dessas pessoas que não puderam comparecer ao evento dar-nos-ia uma outra roupagem e uma satisfação ainda mais gratificante. A vida é assim. Nem sempre pode se ter tudo e todos e talvez a certeza de que eles ainda continuam lá, treinando, caindo e tentando nos reconforte um pouco.

Não poderia ser diferente, também, o acolhimento que sempre tivemos neste “cajueiro dos papagaios”. Nos sentimos e sei que, verdadeiramente, estamos em casa. Estamos de parabéns. Sim, claro, ESTAMOS de parabéns. Um evento como esse, com um nível de organização de como o foi, não depende só de quem estava a frente da organização que sem sombras de duvidas fez um BRILHANTE trabalho mas também depende da participação de cada membro envolvidos nele. Agradecemos a todos, pelas trocas de experiências, pelos risos compartilhados e “brigas” vivenciadas.OBRIGADO

sexta-feira, 14 de maio de 2010


Me pergunto se ser filho é tão fácil. Pois sempre temos que agradar aos pais! A fase de adolescente acho que é a mais difícil de ser "amigo" dos pais, pois eles sempre querem mais e mais. Mesmo que você seja não faça "coisas erradas". Falo particularmente dos meus pais, que são muito protetores e as vezes me "machucam" com certos "nãos!". Poxa, será que ir encontrar amigos para se divertir é tão perigoso assim? Às vezes me pergunto isso. Muitas vezes sou "impedido" de treinar Parkour. Porque? Não sei! E se pergunto, eles usam argumentos como, "Ah, não vá porque tá tarde!" (19h). Não posso chegar em casa depois das 18h porque meu pai vai dar um show e me pôr de castigo, usando o argumento de que eu cheguei de noite! São momentos como esse que me faz ter "raiva". Nossa, sou muito grato por ter me criado, mas acho que não precisa isso tudo! Conversando com meu Avô à um certo tempo, ele me falou sua opinião sobre o que eu deveria fazer da minha vida. Palavras do próprio: "Igor, você tem que se dedicar mais aos estudos, pois a vida não está fácil pra ninguém. Não siga os maus exemplos! Essa história desse 'Pacu' (Parkour), o que isso tem de bom? No que isso vai ajudar a sua vida?". Eu disse que o Parkour é uma realização que não consigo expor, e que está sendo fundamental para que a minha vida tenha uma formação saudável.
Enfim, eles me "protegem" tanto, que podem acabar decepcionados comigo, e isso eu não quero.
Eles acabam me forçando a decepciona-los. Quando me proíbem de sair, eles me impedem de ter novas experiências. Isso acaba fazendo com que eu queira fazer o que eu fui impedido (sair, me divertir), de fazer na sala de aula, que é um local monótono. E depois? Como posso dar a eles o que eles tanto querem, que é o estudo.

texto confuso, eu sei!
ah claro, a imagem foi exagerada!

=**